A CRUZ QUEBRADA

6 de abril de 2010

A CRUZ QUEBRADA

Em Todos os Tempos

J. Jorge Peralta

Sempre me impressionou a visão de uma grande cruz quebrada, em Salvador, Bahia.

Uma grande cruz de granito, quebrada artisticamente, apoiada sobre um pilar, também de granito.

Como está no alto da cidade, ao vê-la, parece que ela se projeta nas águas da Bahia de Todos os Santos, lançando raios de uma luz invisíveis por todo o país.

Marca o lugar do altar-mor da primeira Catedral da Primeira Capital do Brasil.

Foi também a Primeira Igreja Catedral do Brasil – (1549).

Provisoriamente, tivemos a Catedral de Palha, na Igreja Nossa Senhora da Ajuda, bem perto dali, até que se terminasse a construção definitiva.

Consta que era muito, muito bonita a nossa primeira Catedral. Tinha muita história.

Os seus despojos estão no Museu de Arte Sacra, instalado no antigo Convento de Santa Teresa de Ávila, dos Padres Carmelitas.

Ali há muito suor do grande estrategista  e missionário sábio, o Padre Manuel da Nóbrega, que também foi fundador de São Paulo.

Aí pregou o Magno Orador Sacro, Pe. Antônio Vieira.

A Catedral foi derrubada, no século XX, para dar passagem aos equipamentos do mundo moderno.

Foi derrubada por um motivo banal: Para dar passagem a uma Avenida.

Ali é o Centro Cívico e Político da Cidade.

Belíssima cidade! Salvador é a cidade sorriso do Brasil.

A cidade das 366 igrejas, como dizia o grande aviador, Gago Coutinho.

Retornemos à Cruz Quebrada.

Um dia de junho de 2007, ao anoitecer, passei ali  e fiquei  extasiado com o que vi:

O sol começava a se pôr no horizonte, do ouro lado da Baía de Todos os Santos.

Ia se pondo, bem atrás da Cruz Quebrada, deixando nela uma auréola de luz belíssima, quase divina. Parecia  que os raios  de luz se espargiam da cruz, deixando um grande rasto de luz, nas águas calmas da Baía, e iam se alojar no sol, para iluminar outros mundos, até voltar no dia  seguinte, na aurora de novo dia.

Registrei essa minha visão, com minha máquina fotográfica. Fiquei contente pelo achado.

Compartilho essas belas imagens com meus amigos, em Plena Quinta-Feira Santa, pensando no dia de Páscoa e em todos os  Tempos.

Não sei se a arte imita a vida  ou se a vida imita a arte. Por isso talvez possa dizer  que, efetivamente, o trocadilho que fiz acima: Sol-Cruz-Sol, talvez seja real. Apenas ascendendo a outra dimensão. Sonhar é só sonhar? Ou há algo mais?

A Cruz Quebrada, com todo o esplendor que lhe deu o sol, ao anoitecer, dá-nos a verdadeira simbologia da cruz:  no meio de tanta ganância, de tanta arrogância, de tanta  ignorância, de tanta estupidez, de tanta  falcatrua, de tanta  crueldade, de tanta injustiça, ainda há esperança, ainda há luz.

Foi-se a Catedral, mas ficou a CRUZ. Quebrada, mas ficou.

O cristianismo trouxe-nos luz, vida,  alegria serena e estímulo à ousadia, num mundo tumultuado.

Não vejo porque o cristianismo possa ser olhado como uma filosofia triste. Triste são as bandalheiras que as pessoas gananciosas fazem. Tristes são os que se arrogam donos da fé e das almas que querem subjugar e não libertar. Temos o Caminho.

Mas quem são os guias?! Quem vai apagando as luzes do Caminho?! Quem são os pastores?

Aquela cruz lembra-nos todos os valores humanísticos que o cristianismo tentou implantar no Brasil e pelos quais lutaram tantos heróis.

Amigo,

Haja o que houver, na tempestade ou na bonança, mantenha  as mãos ao leme.

Não se descuide. Vá à luta.

Se você não cuidar do seu jardim, nele só crescerá capim.

Cuide das plantas de seu jardim  e elas lhe darão belas flores.

Falo do Cristianismo sem jaça, sem interpolações, sem entulho que nela alguns deixaram.

Fiquemos com um pequeno texto de nosso poeta Gonçalves Dias:

A vida é luta renhida,

viver é lutar.

A vida é combate

que os fracos abate,

que os fortes, os bravos,

só pode exaltar

FOTOS: A CRUZ QUEBRADA – JPERALTA

6 de abril de 2010

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Apresentação – Cristianismo sem Religião

1 de novembro de 2008

CRISTIANISMO SEM RELIGIÃO

Movimento Alfa-Ômega

O que sobe, converge

Teilhard Chardin

NOTA INTRODUTÓRIA:

  1. O presente trabalho, do Blogue “Alfa-Ômega

(www.alfa8omega.wordpress.com) é uma instigante e quase provocante proposta de reflexão e posicionamento em relação a algumas questões que, de modo geral, não se costumam abordar. Este é um desafio às pessoas de boa vontade.

Trata-se de superar a tensão moderna entre o sagrado e o profano e entre os valores éticos e morais. Há ainda a tensão entre a igreja formal e a informal…

Sabemos que, dialeticamente, essa tenção sempre subsistirá: faz parte da dinâmica da vida.

Diante de um mundo em convulsão, escondêmo-nos atrás do “deixa como está para ver como  é que fica”. E deixamos a vida correr sem pensar. Deixamos sem respostas questões fundamentais. Na era do conhecimento e da informação esta atitude gera mais dúvidas e descontentamentos e depois desilusões.

É preciso agir e reagir com altivez. A pusilanimidade não é boa conselheira.

2.         Esta obra é dirigida a pessoas especiais que vivenciem e assumam compromissos no recesso de sua consciência humana e cidadã; pessoas que, para além das sensações físicas, sejam capazes de vivenciar uma espiritualidade ativa, regeneradora e criativa.

Este trabalho é um apoio singelo a toda uma imensa cruzada que se espalha pelo mundo e que aceita o Cristo como “Luz do Mundo” e “Sal da Terra”… Também o reconhece como “caminho, verdade e vida”, aliado a outros princípios de outras procedências, sem discriminar o Espírito. O essencial é ser fiel à Aliança de Deus com a humanidade. Nosso mundo rejeita o obscurantismo que por toda a parte se dissemina. Toda a pessoa consciente precisa ter e assumir compromisso com o seu ser, em todas as dimensões que o constituem, em busca da auto-realização.

3.         Leia os textos a seguir para se inteirar da proposta, e dos princípios que a sustentam. Mas não faça apenas uma leitura formal. Medite, questione, busque o caminho. Leia com a alma.

Não se detenha apenas nas palavras e frases deste texto, garimpando defeitos. Se quiser, achará muitos defeitos mas não ganhará nada. Leia antes o espírito deste texto e encontrará algumas sementes que poderão germinar, pois é o espírito que vivifica.

Participe deste evento transformador, de rejuvenescimento e de júbilo interior.

4.         Deste tema matricial nascerão mais sete capítulos, para desenvolver algumas das idéias aqui apontadas.

Precisamos saber que o ser humano, consciente e sábio, é solidário em dimensões universais, no mundo material e espiritual. É solidário com toda a natureza que faz o seu meio ambiente: a água, a terra, o ar,  o fogo e também com os espaços siderais: o sol e a lua, as estrelas  e os planetas e os cometas; e é solidário com o Deus Criador.

As possibilidades e reais vantagens e benefício que pode trazer  a reflexão  e convivência de pessoas de todas as filosofias, religiões e tendências está patente nos fóruns multilaterais e nas assembléias e congressos da ONU, onde todos têm vez para falar e decidir juntos propostas decisivas para os rumos do mundo. O cristianismo é um

sistema de idéias e ações e atitudes que, por si, não faz distinção  das pessoas por motivo de raça, de cor, de nacionalidade ou de condição social. Perante Cristo todos somos iguais, como perante a natureza e a ONU, ao menos na teoria.

5.         Se este texto lhe acrescentar algum entusiasmo criativo, então é um sinal. Você é convidado a ingressar neste movimento de renovação total da humanidade partindo do despertar de cada pessoa.

Este é um movimento de reconciliação universal, das pessoas de boa vontade, aceitando a diferença e a diversidade, com unidade no essencial. Não é questão nova. É apenas mais um passo, a somar-se a tantos outros, que, através dos tempos, tanta gente tentou e não desistiu.

Na fé, na esperança, na consciência e na solidariedade está o alicerce de todas as grandes religiões.

A idéia motriz do movimento Alfa-Ômega é a convergência universal para um princípio único que tudo articula.

Nota:  Este é um texto em construção. Ainda não está acabado; ainda tem quase incoerências. Ainda passará por uma geral lapidação. Assim mesmo achei que não devia mantê-lo na gaveta à espera de tempo para revê-lo. Outros podem me ajudar a aperfeiçoá-lo. A alguém, assim mesmo como está, pode fazer algum bem. Se nele houver luz poderá iluminar quem o aborda.

São Paulo, dia 1º de novembro de 2008

Luciano Reis

Tempo de se Posicionar

1 de novembro de 2008

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TEMPO DE SE POSICIONAR E

REJUVENESCER

1.         Abordar algumas idéias basilares do sentido da vida no mundo e seus caminhos, descaminhos e tensões, é o que nos propomos.

A primeira questão em debate é o cristianismo, filosofia de vida e a religião de mais alta abrangência, no mundo atual.

2.         No início desta reflexão, preocupado com o rumo que tomavam as idéias, perguntei-me a mim mesmo, que credenciais alguém tem para abordar tão graves questões. Decidi, então, abordar tais questões como ficção: atribuí a inspiração dessas idéias a um personagem  de alta sugestividade: Gabriel, o Mensageiro. Daí por diante tranquilamente prossegui minhas reflexões “sob” a quase “inspiração” do grande Mensageiro anunciador do Messias. Minha grande preocupação, daí por diante foi a fidelidade a um pensamento consistente, inspirado na mensagem do Evangelho, com genuína apreensão. É paradoxal o esforço de dizer adequadamente uma mensagem de outrem.

3.         No percurso da confecção dos textos, senti que precisava registrar também a presença de Miguel, o Guerreiro, que me apoiou, na luta contra certas idéias mais afoitas que eu mesmo procurava descartar. Não posso deixar de registrar ainda a ação de Rafael, o Conselheiro, que ajudou  a sanar certas e possíveis incompreensões… Tomo como ficção a presença dos três arcanjos, por não saber se sua passagem por estes textos tem algo de real que eu apenas pressinto. Ao apelar para os três, senti mais firmeza e confiança e coragem. São presenças simbólicas muito auspiciosas.

4.         Num mundo cada vez mais dessacralizado e laicizado, é preciso repensar, com muita seriedade, consciência e responsabilidade a mensagem do Evangelho: a mensagem do Cristianismo e sua relação com a vida humana na Terra e com as múltiplas dimensões e inteligência das pessoas. Cristo é o Caminho? Que caminho? De onde viemos e para onde vamos? Quando, onde, para onde, para quê e com quem?

Qual a linha divisória entre o lado humano e espiritual da mensagem de Cristo? O que é terreno e o que é sobrenatural nesta mensagem?

Na consciência humana, estes valores têm uma área de intersecção; fazem parte da pessoa integral do homem consciente.

5. Homem Consciente é o que sabe, pensa e sente o que faz; sabe quem é, o que quer, de onde vem e para onde vai; conhece suas responsabilidades pessoais e sociais, seus direitos e deveres e assume compromissos vitais e os cumpre; busca viver dos próprios méritos e se dedicar; busca harmonizar as suas contradições e diversidade social, compartilhando saberes e responsabilidades e tem brio no seu caráter; que não adotam cegamente os “marqueteiros” como os grandes gurus de seu pensar, querer e decidir. Não são “birutas” de aeroporto que apenas seguem o vento. Homem consciente é capaz de navegar contra o vento e contra a corrente quando estas não o conduzem pelo rumo que quer seguir.

O normal é que a pessoa não sabe tudo isto. Ninguém sabe tudo. Gente consciente é a que sabe o que precisa saber e toma atitudes para enriquecer seu saber e sabedoria, num processo que não termina.

Vale o adágio grego: “Conhece-te a ti mesmo e dominarás a terra”.

5.         Tudo que é humano precisa de permanente vigilância, para não monotonizar a sua prática, tornando-a anódina. Em tudo que é humano, como na natureza, tudo deve estar em constante revitalização. As igrejas, como as casas, precisam, de vez em quando, ser reformadas e repensadas para atender os novos anseios dos novos tempos e das pessoas, num mundo onde tudo é dinâmico. Que reformas fazem as igrejas?!

6.         Deveríamos aprender com a natureza que está sempre se renovando a cada estação, de primavera a primavera, passando pelo verão, outono e inverno. O ano vai de janeiro a janeiro, passando pelos outros onze meses e a semana vai de domingo a domingo passando por mais seis dias. E, no dia, se sucede manhã, tarde e noite, contando com os deslumbramentos de alvorada a alvorada, passando pelo pôr-do-sol. Faz bem observar os ciclos da natureza, sempre em mutação e ver o resultado dessa dinâmica.

Como o Cristianismo se vai adequando a esta mudança sistêmica?

7.         É urgente repensar o Cristianismo principalmente quando sabemos, por estatísticas, cientificamente elaboradas, que 95% dos brasileiros crê em Deus e busca a auto-realização espiritual. Quando sabemos que dos 75% dos brasileiros que se declaram católicos, só uma porcentagem diminuta frequenta regularmente a igreja. Muitos só a visitam em dia de batizado e casamento.

Certamente são muitíssimos mais os que vivem nos parâmetros do Cristianismo. Será que há uma igreja visível e outra invisível? Como apreciá-la?

Parâmetros do Cristianismo

1 de novembro de 2008

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PARÂMETROS DO

CRISTIANISMO

1.         Todo ser humano, antes de qualquer opção religiosa, ou em concomitância, precisa ser um cidadão saudável e prestativo, consciente e competente, dedicado e solidário, empreendedor, generoso e altruísta. Ser um bom e saudável cidadão é cultivar o que faz um ser humano integral, física, psíquica e espiritualmente, procurando a própria auto-realização. O que significam estas condições?

Qual o sentido da vida humana da terra? Qualquer que seja a sua opção de vida, todo ser humano precisa ser saudável e prestativo e desenvolver adequadamente seus talentos humanos; você precisa ser um cidadão útil e dedicado, competente e altruísta.

Queremos pisar no mundo real, de mente erguida e altiva, como pessoas conscientes. Mas o que é o mundo real?

2.         Todos sabemos muito bem o que é religião cristã sem cristianismo, mas ainda não sabemos o que é cristianismo sem religião. Cada um o saberá muito bem se o experimentar em seu coração, em sua alma, e em sua mente e olhar em volta a sementeira que desabrocha

O semeador semeou a sua semente. Uma parte caiu em terra boa e deu muitos frutos.

Quando retornarmos da aventura de experimentar um cristianismo sem religião talvez entendamos então o que pode ou deve ser religião cristã. É que o sal e a luz entraram em nossas entranhas espirituais.

Os princípios que definem as religiões, podem nos atingir  e interferir em nossos pensamentos, mesmo sem a religião. No entanto, como a pessoa é um animal sociável, é natural,  num segundo momento, a adesão a uma comunidade, com mútuo apoio, em todas as dimensões. A comunidade é o lugar privilegiado de compartilhar o pão do saber.

Na pré-religião há sempre uma grande sementeira de idéias e atitudes que reúnem as pessoas que as assumem com convicção.

As boas idéias são sempre patrimônio da humanidade. Podem ser usadas mesmo sem restrição.

Por outro lado, o Espírito não discrimina ao inspirar das pessoas.

3.         Efetivamente, na acepção cristã, o natural e o sobrenatural são duas faces da mesma realidade.  São realidades intercomplementares, inteiramente articuladas. Precisamos saber ver o valor divino do humano.

Cristianismo Desconhecido?

1 de novembro de 2008

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CRISTIANISMO DESCONHECIDO?

1.         Para a maioria dos cristãos, o cristianismo é ainda uma bela lembrança, um paraíso escondido no mais profundo seu ser, um espaço de felicidade espiritual para além da percepção física. Aí, nesse lugar, está o seu Cristianismo. Aí está o seu templo. É um cristianismo sem dogmas e sem hierarquia… um cristianismo doméstico e interior.

Aí está sediada a sua fé, a sua esperança, a sua solidariedade. Sua igreja espiritual os envolve.

2.         Todos conhecemos pessoas simples e conscientes, mais cristãs de alma e de ação do que outros que vão sempre à igreja e cumprem a sua “obrigação”; formalmente, na sua vida prática, são víboras sádicas, envolvidos em deplorável corrupção.

Para muitos, a Igreja vai ficando uma lembrança romântica sem outros compromissos… Nosso mundo mais pragmático e consumista, vai detonando outros valores essenciais e vitais. O marketing vira a cabeça das pessoas…

Os cristãos que assim se declaram, não conhecem mais a sua igreja; não conhecem mais o Evangelho e os seus princípios. A sua própria igreja interior vai ficando em ruínas, por falta de manutenção/realimentação.

3.         A mensagem do cristianismo hoje é  desconhecida, em sua essência e em seus pilares fundamentais. Por isso a igreja, o cristianismo não é mais atrativo válido para muitas pessoas, de 12 a 50 anos. Além de tudo isto, as “igrejas” ditas cristãs, gastam o tempo combatendo-se mutuamente: guerreando-se

Há um certo obscurantismo em tudo isto. Cristo deu e dá sentido à vida de multidões de pessoas. Mas já pensamos quantas multidões morreram e sofreram atrocidades em nome de “Deus”…

Que paradoxo? Cristãos, católicos e outros, muçulmanos, judeus (do tronco de Abraão), e todas as demais religiões do mundo, através de milhares de anos, quantas atrocidades praticaram?! Guerras defensivas não dá para evitar. Quem é atacado, só não se defende se é covarde ou entreguista. A guerra só é legítima, neste caso, se for inevitável.

4.         É urgente reconstruir o Cristianismo genuíno que transforma a sociedade, semeando caráter, bem querença, justiça, liberdade e solidariedade. É preciso reconstruir o Cristianismo que quebra as cadeias e as algemas da escravidão mental em que, sem o saber e até enganados muitos vivem. Prisioneiros de idéias feitas, sem criatividade, nem se apercebem de sua real condição. Pior que a prisão injusta ou a escravidão física, é a escravidão mental, da qual os “escravos” não dão importância.

5.         Muitos já estão voltando ao tempo das “catacumbas”, pois dizer-se cristão, na modernidade, às vezes tem sabor de carola, de antiquado e de hipócrita. Efetivamente Cristianismo não é o que se propaga aos quatro ventos, mas o que se pratica  e que cimenta a nossa ação… O estereótipo de cristão, como carola, é muito incômodo, resultante de uma religião que se compraz com formalidades e nem sempre cultiva o essencial, de que às vezes nem se fala.

O Cristo Encoberto

1 de novembro de 2008

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O CRISTO ENCOBERTO?

1.         O mundo que se diz cristão não conhece a doutrina do evangelho. O Evangelho é um ilustre desconhecido; é o Encoberto. Ser cristão, para a maioria absoluta dos cristãos, não passa de uma palavra bonita mas vazia que ainda tem certo prestígio.

Quando precisam de socorro espiritual, vão buscá-lo em outros lugares ou em livro de auto-ajuda. Poucas pessoas ainda querem uma igreja de formalidades, sem alma. As igrejas vão sendo trocadas pelas “catedrais” do consumismo: as lojas e os shoppings.

2.         Diz Vieira que se os que se dizem cristãos, o fossem de verdade, já teriam transformado o mundo.

Para além do consumo, as pessoas precisam aprender que “nem só do pão vive  o homem”. A mente de todos precisa estar atenta a outros valores; na dimensão das suas diversas inteligências. Precisamos ganhar o pão, mas é preciso também cuidar de outros valores para dar sentido a tudo.

3.         O Cristianismo veio prometer paz, concórdia, justiça, liberdade, solidariedade, com bem-estar e qualidade de vida para todos. Que houve? O Evangelho foi traído?! “Glória a Deus e Paz aos homens …” foi a mensagem de Natal. Onde está a paz? Onde está a Glória? Cristo é um ilustre desconhecido em sua própria casa? Mas o que é conhecer ou desconhecer alguém de tais dimensões?

4.         No nosso mundo, envolto em tantos problemas, tanta mentira, tanto golpismo, tanta vileza, tanta falsidade, a maioria busca a verdade, a luz, a dignidade, a liberdade interior.

Há muitos problemas buscando soluções mas todas as soluções trazem novos problemas. Onde irão as pessoas encontrar o caminho se, para muitos, a igreja não lhes inspira confiança ou credibilidade? Quais as instituições que ainda têm credibilidade para aconselhar as pessoas e acertar seus passos na hora da angústia?

5.         Onde procurar a luz se a sua igreja é uma igreja triste, um tanto quanto derrotista e amargurada? Está mais preocupada com as aparências das estatísticas!… Com o triunfalismo:  a maior isto… a maior aquilo…

6.         Enquanto isto há muitas ratazanas em seus porões…

Há muitos paradoxos inadmissíveis:

–   Uma igreja que mais sabe condenar e proibir do que mostrar a luz.

–   Uma igreja que mais fala aos sentidos do que à alma.

– Uma igreja que fala da fé, mas não fala da esperança e da  caridade/solidariedade; e que nem mais sabe o que é fé. Sem esperança e sem solidariedade, portanto sem obras, sem prática, da fé é morta e vazia.

7.         Uma igreja sem alma?! Ainda é igreja?!

Uma igreja sem alma é como um sino que soa falso, desafinado.(I Co. 13,1-13)

A Força Motriz

1 de novembro de 2008

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A FORÇA MOTRIZ

1.         Cristianismo sem Religião foi uma idéia matricial que desabrochou sem ser esperada e nem programada. Achei-a útil e fui-a seguindo e construindo, como mineiro que escava túneis seguindo veios de ouro.

2.         Em dado momento senti-me impotente para fazer a proposta sozinho. Pedi então patrocínio de Gabriel, o Mensageiro, para lhe dar sustentabilidade. Gabriel está neste texto como personagem de ficção e como suporte da proposta. Foi o cajado que me deu apoio nesta caminhada…. Foi minha inspiração…

Na sequência vi que, nos pontos mais ousados, quem me acompanhava era Miguel, o Guerreiro. Miguel enfrentou as resistências, inclusive as minhas, viabilizando o sonho. Para sarar eventuais feridas e harmonizar o que é complexo e múltiplo, senti por perto a presença de Rafael, o Conselheiro.

Neste meu atrevimento, nunca estive só. E nunca estarei. Mas ficou muito claro que eu fui apenas o receptor e transmissor de uma idéia que não é minha.

3.         Enfim surgiu o que talvez possa ser considerado uma velho Utopia: a vivência dos princípios e diretrizes do Evangelho, independentemente de estar ou não filiado a uma igreja e até independentemente de frequentar  ou não os cultos e festividades da religião.

Em tempos de vivências plurais e de diversidade estrutural, este conceito parece que veio na hora e lugar certo e adequado. Pode para alguns ser norma e para outros exceção.

Sou então adepto do individualismo?! De jeito nenhum… Até porque a vivência evangélica exige consciência social, altruísmo e generosidade.

Hoje as pessoas, sem preconceito, sabem buscar as boas idéias onde eles estão. As boas idéias quando divulgadas, estão à disposição de todos. Rejeitá-las, se são boas é obscurantismo.

4.         Em função dos crimes e atos autoritários, incontestáveis, praticados por autoridades das igrejas cristãs, muita gente tem rejeição quase irreconciliável, com qualquer igreja. Muitas autoridades perderam a credibilidade. Pois que siga as Diretrizes do Evangelho. Que faça do Evangelho um de seus livros de cabeceira e estará bem acompanhado, atento e de olhos abertos.

Bem sei que certas autoridades eclesiásticas logo se irritam e gritam: NÃO! Não resolve! E você perguntaria: por que não? E está aberto o diálogo…

Daí concluí que o alcance do Evangelho é mais abrangente do que as religiões cristãs.

Tudo o que ajuda as pessoas e a humanidade a melhorar suas condições de vida e sua consciência pode ser buscado.

5.         Num mundo plural temos de aceitar a pluralidade, desde que haja fidelidade aos grandes princípios. Muita gente, tanto do povo, como intelectuais e empreendedores, têm rejeição por certos padres ou pastores despreparados, mal informados e interesseiros que mais parecem mercenários ou que apelam para um sentimentalismo fácil e inconsistente. No entanto querem bem aos princípios que Cristo proclamou. Que o vivam. Mas que o vivam de modo cristão, assumindo seus compromissos como consequência; que ajam para transformar o mundo.

Que saibam que não podemos generalizar defeitos de indivíduos, e que cada um deve ser apreciado de acordo com os próprios méritos e com lealdade a princípios.

As pessoas no mundo atual devem ter uma visão, de ampla visão, com 360 graus de visão. Isto certamente só está disponível a quem tem mais condições de estudo e dedicação.

O garimpeiro de pedras preciosas buscá-as onde elas estão.

Vivência Responsável

1 de novembro de 2008

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VIVÊNCIA RESPONSÁVEL

1.         No nosso mundo plural, os “ismos” vão sendo esfacelados, devido às suas limitações reducionistas naturais e desgastados por não conseguirem resolver os problemas a que se propusera.

Não se pode jogar fora o ouro, ao descartar a ganga.

2.         É patente que muita gente que pratica a religião, efetivamente,  não atende aos princípios do Evangelho. Porque não aceitaríamos que as pessoas vivenciem o Evangelho sem praticar as normas da religião? É questão de lógica, não?!

Para uma igreja burocratizada, isto talvez seja inaceitável. Mas o Evangelho não é burocracia. Burocratizar o Evangelho é traí-lo. O Evangelho é o Espaço da liberdade  consistente, consciente, responsável e altruísta.

3.         Por outro lado, o que propomos é centralizar-se na vivência das normas luminares do Evangelho, articulando-o com outros Livros…

Lembramos sempre que a pessoa que leu um só livro não consegue ter equilíbrio nem viver e ver em amplos horizontes: é sempre limitado com tendência a ser intransigente, inconversável e muito limitado, tende a ser tirano, fascista. Não aceita o diálogo. Para esse o mundo tem uma só face; não há o “outro lado”.

4.         Se as pessoas puderem viver em “comunidade” e puderem frequentar os templos, melhor. O essencial, de fato, é a vivência do Evangelho da paz, da justiça, da liberdade, da esperança, da solidariedade e do bem-estar. O essencial é o compromisso pessoal.

5.         A vivência do Evangelho necessariamente revitaliza a igreja. Este é o caminho da consciência responsável e atuante. Se todas as igrejas e todos os cristãos atuassem de fato, na humanização da sociedade, o mundo, não seria tão precário e tão injusto…

As pessoas precisam pensar juntas. Precisam se reunir para se inter-completarem. Um aprende com o outro ao pensar, ao agir e ao reagir…

6.         Cristianismo sem Religião é basicamente um movimento e um apelo à consciência com vivência responsável, sem burocracia.

Busca-se o espírito do cristianismo. Esta seria a base de toda religião eficaz, sadia e produtiva. São as sementes que desabrocham no segredo da terra, se desenvolvem, e dão frutos que alimenta quem tem fome e sede.

Aqui damos prioridade à vivência espiritual que depois fará germinar a ação transformadora comunitária.

7.         Sem uma atitude como esta, a religião é pouco mais que uma organização  burocrática: funciona como reunião, proclama-se a palavra, mas não se sente a alma que dá o entusiasmo interior, que leva ao compromisso transformador. Valoriza-se o ocidental e esquece-se o essencial. Cuida-se da aparência e esquece-se a essência. Importa fazer uma coisa sem esquecer a outra.

O Evangelho Desconhecido?

1 de novembro de 2008

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O EVANGELHO DESCONHECIDO?

1.         Uma igreja onde o Evangelho é conhecido apenas por pequenos textos antológicos, sem que as pessoas conheçam plenamente sua mensagem sistêmica, mas apenas por um amálgama de idéias tiradas dos contextos?

Uma igreja que não disponibiliza a chave da fé para entender os Evangelhos: os grandes pilares e os grandes arcos ogivais que tudo conectam e tudo harmonizam.

Uma igreja que não articula os seus pilares para estruturar a grande igreja que é o povo.

Uma Igreja Cristã sem Evangelho que, quando lido só nele se encontram palavras bonitas, sem alma.

2.         Evangelho sem alma é apenas um livro de crônicas interessantes para nosso entretenimento e deleite. Mas nele há algo invisível aos olhos das pessoas que vivem apenas de sensações biológicas (que também são muito importantes. O problema está no “apenas”).

3.         Precisamos despertar novos semeadores que semeiem sementes de liberdade, justiça e fraternidade, onde os achacadores não são proclamados heróis: os semeadores do Evangelho total. Está na hora de pensar, primeiro, em gente que assuma a palavra em seu espírito transformador. Vamos pensar, em vez de buscar resultados espetaculares, privilegiar a missão de ser fermento e sal da terra.

Precisamos voltar ao Gêneses e escutar a ordem do Criador: Fiat Lux”. Depois vamos escutar a voz do mestre: Eu sou a lux do mundo


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